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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

ESTÁ CADA VEZ MAIS DIFÍCIL SEGUIR UMA RELIGIÃO NA MAIORIA DOS PAÍSES


Quase um terço da população mundial vive em países onde está ficando mais difícil praticar religião livremente, afirmou nesta terça-feira um grupo privado de pesquisas dos Estados Unidos.
O Fórum sobre Religião e Vida Pública do Pew Research Center informou que restrições governamentais e hostilidade pública envolvendo religião aumentaram em alguns dos países mais populosos entre meados de 2006 e meados de 2009, a época em que a pesquisa foi feita.
“Durante o período de três anos coberto pelo estudo, a extensão dos abusos e violência relacionados à religião cresceu em maior número de lugares do que o daqueles em que decresceu”, diz o relatório “Crescentes Restrições à Religião”.
Nesses anos, somente cerca de 1 por cento da população mundial vivia em países onde houve maior tolerância religiosa, assinala o texto.
O estudo feito pelo Pew Center em 198 países constatou que aqueles considerados restritivos ou hostis no relatório anterior tiveram o quadro piorado enquanto o oposto foi verificado naqueles com mais tolerância religiosa.
Um aumento substancial da hostilidade pública em relação a grupos religiosos foi observado na China, Nigéria, Tailândia, Vietnã e Grã-Bretanha, enquanto as restrições governamentais cresceram significativamente no Egito e na França.
O Pew Center examinou leis ou outras políticas governamentais destinadas a banir determinadas crenças, limitar a prática, dar preferência a uma religião específica ou proibir conversões.
Para quantificar a hostilidade, o estudo analisou violência sectária, pressões sobre vestimentas religiosas e outros tipos de intimidação.
Os países mais restritivos ou hostis em relação a certas religiões incluem Índia, Paquistão, Indonésia, Egito, Irã, China, Mianmar, Rússia, Turquia, Vietnã, Nigéria e Bangladesh – embora na maioria dessas nações não tenham ocorrido alterações nos três anos.
Entre meados de 2008 e 2009, pessoas foram mortas, detidas, presas, torturadas, desalojadas de suas casas ou tiveram propriedade destruída por governos por motivos religiosos em 101 países. No período anterior eram 91 países, de acordo com o relatório.
Na época estudada, esse tipo de violência aumentou em mais nações do que declinou.
Ataques de multidões motivados por religião ocorreram em 52 países no ano do estudo encerrado em meados de 2009, enquanto no período prévio foram 38.
Ódio ou preconceito religioso resultaram em violência por parte de grupos de cidadãos em 142 países ¿ quase três quartos dos 198 incluídos na pesquisa e número quase semelhante ao verificado até meados de 2008.
Cristãos e muçulmanos, os dois maiores grupos religiosos do mundo, sofreram perseguição na maioria dos países.
Fiéis de outras religiões também foram importunados. Os judeus, que perfazem menos de 1 por cento da população mundial, foram alvo de restrições ou hostilidade em 75 países.
FONTE: GOSPEL MAIS

domingo, 27 de março de 2011

A MARGINALIZAÇÃO DE MISSÕES NA TEOLOGIA

Por Jamierson Oliveira
Em seu livro, A igreja é maior do que você pensa, publicado pela Missão Horizontes, o missiólogo Patrick Johnstone, buscou descobrir as principais razões pelas quais o interesse por missões é tão pequeno na igreja cristã atual.
Ele identificou quatro razões que explicam as causas desse problema: (a) a lentidão dos primeiros discípulos em compreender o ministério transcultural de Jesus; (b) a falha terminologia bíblica que gera um vazio na própria teologia; (c) a ausência de registros históricos de todas as atividades missionárias, atenuando a importância dos avanços missionários; e (d) a falta da sistematização da teologia bíblica de missão nos credos teológicos. Nas palavras dele, pressionar congregações com desafios ou alfinetar a consciência em congressos produz pouco fruto. Até mesmo os livros especializados não resolvem o problema. Minha oração é que, em muitas congregações e escolas teológicas, tanto a teoria quanto a prática de missão possam ser mudadas significativamente.
As quatro razões levantadas pelo autor:
1 – Missão menosprezada na igreja – Na igreja atual a mentalidade ou visão de mundo herdada excluiu missão por completo. Para muitos, hoje, missão significa um pouco mais que o evangelismo local e trabalho geral da igreja no mundo, para aliviar os males sociais. Mas o componente de evangelização mundial e envio de missionários são quase que ignorados.
2 – Missão despercebida na interpretação das Escrituras – Essas três passagens bíblicas: Gênesis 12.3, Salmo 22 e Lucas 4.20-22 demonstram bem como ainda temos dificuldade para perceber missão nas Escrituras. Na primeira passagem, Gênesis 12.3, a última parte do versículo é uma poderosa expressão da missão de Deus ‘… em ti serão benditas todas as famílias da terra’, mas muitos nunca atentaram para isso. Já em Salmo 22, vê-se uma monumental poesia sobre a hora da crucificação e ressurreição de Jesus com detalhes impressionantes do fato. E mais, o versículo 27 é outro texto áureo de missões muito pouco notado e pregado quando se utiliza esse salmo em nossas igrejas. ‘Todos os limites da terra se lembrarão, e se converterão ao SENHOR; e todas as famílias das nações adorarão perante a tua face’. Aqui se vê que a cruz e a evangelização mundial se mesclam. Salvação e missão não podem ser divorciadas. E, finalmente, em Lucas 4 fica provado que sempre existiu certa dificuldade de compreensão das Escrituras. Nela, o evangelista narra o momento quando Jesus, tomando o livro de Isaías (cap. 61), leu o texto referindo-se a ele mesmo. Num primeiro momento, os ouvintes se maravilharam (v. 22), mas logo se encheram de ira e quiseram matá-lo (v. 28). O que motivou tamanha mudança de humor nos presentes? Porque a natureza missiológica de Jesus não foi compreendida por eles! Os judeus conheciam bem a passagem de Isaías 61, e esperavam que Jesus lesse a frase do verso 2: “… e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes…”, mas Ele omitiu essas palavras encerrando a leitura. Eles esperavam que Jesus fosse vingá-los da ocupação gentia (romana), mas Jesus quis demonstrar que seu ministério não era de vingança contra os gentios, mas de salvação, por isso ficaram irados com Ele. E isso também pode ser verificado na resposta dos dois discípulos no caminho de Emaús: ‘E nós esperávamos que fosse Ele o que remisse Israel…’ (Lc 24.21).
3 – Missão despercebida na história da igreja – Por-que para muitas igrejas, as últimas palavras de Jesus referente à Grande Comissão (Mt 28.19), parecem não ter sido pronunciadas? A Grande Comissão tornou-se a Grande Omissão, e além das razões anteriormente citadas, uma terceira falha que afetou a compreensão dos cristãos atuais sobre a missão e missões é a negligência dos historiadores da igreja em não dar relevância aos, embora poucos, mas importantes eventos missionários. Alguns dos maiores movimentos missionários da história foram pouco publicados nos livros de História da Igreja, que se detém mais em falar sobre discussões teológicas estruturas eclesiais.
Sobre esta terceira razão, talvez uma possível justificativa, que só reforça ainda mais o problema, seja que os escassos movimentos missionários da época eram tão menosprezados e seus missionários tão isolados que mesmo os mais interessados não tinham registros de suas atividades para que pudessem relatá-las em suas obras biográficas sobre a Igreja. Apesar de tudo isso, esses heróis anônimos da fé, motivados pelo Espírito Santo, mantiveram o propósito da evangelização mundial, a despeito da negligência da maioria. E escreveram uma história maravilhosa que, felizmente, conheceremos seus resultados na eternidade.
4 – Missão ignorada na terminologia bíblica e na teologia formal
É esta a quarta razão apresentada por Patrick Johnstone, que explica o porquê de missão ser tão menosprezada e mal compreendida pelas igrejas. Nos deteremos especialmente nela por estar mais dentro da pauta desta edição.
A pesquisa realizada pelos estudiosos Barret e Johnson, publicados no livro What in the World is God Doing, revelaram que tanto no desenvolvimento da teologia com seus credos quanto das próprias traduções e versões bíblicas, muitos termos-chave, para uma melhor compreensão de missões na Bíblia e na teologia, foram omitidos ou modificados por outras expressões que, infelizmente, dificultaram uma melhor divulgação do tema.
A diversidade do vocabulário (missiológico) e o número de referências são uma prova convincente de que os versículos da Grande Comissão são centrais para uma compreensão correta da totalidade do Novo Testamento.
Uma terminologia ineficiente
Outro problema relevante nessa discussão, levantado por Patrick Johnstone, é o verdadeiro sentido etimológico das palavras apóstolo e missionário. Se tomarmos o sentido original da palavra bíblica apóstolo (do grego apostello), que significa “o enviado” ou “eu remeto, eu lanço”, perceberemos que a mesma correspondente à palavra missionário (do latim missio). As duas têm exatamente o mesmo significado. Ou, ainda, quando aparece a palavra apóstolo na Bíblia, os tradutores, contextualizando, poderiam ter optado por missionário. Em outras palavras, o missionário de hoje poderia, neste sentido, ser legitimamente chamado de apóstolo, e missões poderia ser comumente chamada de apostolado ou obra apostólica, e vice-versa.
Veja que lindo ficaria 1Coríntios 12.28: “E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente MISSIONÁRIOS (apóstolos), em segundo lugar profetas, em terceiro doutores…”. Se ao longo da história cristã o termo apóstolo tivesse tido seu verdadeiro sentido amplamente discutido e divulgado, essa indiferença e também a rejeição à obra missionária não existiriam na igreja hoje.
Segundo Patrick, o missionário é o primeiro (no tempo) que o Senhor envia para fundar igrejas. Os outros ministérios são uma conseqüência dessa atividade.
Sou missionário há mais de 30 anos e dou muitas palestras, mas se eu me colocasse no púlpito e dissesse ‘Sou um apóstolo’, a maioria das pessoas acharia que eu não teria o direito de fazer tal afirmação, pois não há mais apóstolos; ou que eu seria o líder de alguma seita herética!
Hoje, infelizmente, a maioria dos ministérios da igreja, inclusive aqueles que não possuem fundo histórico bíblico, sente-se infinitamente superior ao apostolado, ou seja, à obra missionária. E, como resultado desta confusão terminológica, muitos obreiros estão vivendo no limbo, abandonados por suas igrejas no campo missionário. Talvez, o próprio missionário Paulo estivesse se sentido abandonado pela igreja local quando pediu ajuda: “Portanto, não te envergonhes do testemunho de nosso SENHOR, nem de mim [...] fui constituído pregador, e apóstolo [missionário], e doutor dos gentios. Por cuja causa padeço também isto…”. (2Tm 1.8-13; grifo do autor) E ainda: “Só Lucas está comigo. Toma Marcos, e traze-o contigo, porque me é muito útil para o ministério” (2Tm 4.1; grifo do autor).
Citando Barret e Johnson, o autor ainda apresenta, organizadamente, uma extraordinária coleção11 de termos e várias palavras e frases-chave referentes à evangelização mundial e seu emprego nas traduções utilizadas na Bíblia que, se recuperadas têm uma força poderosa na formação de nossos obreiros:
A Grande Comissão pode ser resumida em um verbo-chave grego: evangelizar (euangelizo). Essa palavra é usada 56 vezes no Novo Testamento. Além disso, há 10 variantes próximas baseadas no verbo-raiz angello. Há mais quatro sinônimos próximos e mais 19 quase-sinônimos, todos eles expressando aspectos do mesmo conceito, assim como, mais 500 palavras cognatas próximas (nomes etc.). A tarefa de evangelizar é detalhada pelo Senhor Jesus Cristo em sete mandamentos, que são imperativos e constituem a Grande Comissão. São eles: Recebei!, Ide!, Testemunhai!, Proclamai!, Discípulai!, Batizai!, Treinai!
Todas essas palavras gregas são traduzidas em 596 termos, listados no livro mencionado anteriormente, como ampliações dos sete mandamentos. Portanto, o Novo Testamento é saturado com toda uma gama de palavras que se referem à evangelização mundial e local.
E, para nossa surpresa, embora a palavra evangelizar seja usada normalmente na forma grega, ela não aparece na maioria das traduções, como é o caso da versão King James. Apesar de ela ser substituída por outras palavras correlatas, estas, no entanto, não possuem a mesma força do termo original. Isso refletiu, ao longo da história, diretamente na construção teológica e eclesiástica da história da igreja, atenuando a doutrina bíblica de missões.
Os tratados teológicos
Dentro desta quarta razão apresentada por Patrick, este ponto, talvez, seja o mais curioso e surpreendente. Segundo ele, além de todas as razões anteriormente citadas, essa deficiência missiológica foi a que mais dificultou a construção de uma teologia cristã que valorizasse missões para um melhor entendimento da igreja.
Ele demonstra muito bem isso quando comenta as declarações doutrinárias dos credos e demais obras teológicas (pastoral e sistemática) de importantes teólogos.
Se por um lado eles foram tão importantes na conservação das demais doutrinas cristãs, tais como, Trindade, divindade do Senhor Jesus, personalidade do Espírito Santo etc, por outro, a maioria deles, surpreendentemente, omite qualquer referência sobre a tarefa transcultural e a natureza evangelística da igreja.
Esse problema documental perpetuou ainda mais a frágil e quase extinta noção de missões numa igreja cuja história está cheia de trágicos eventos. O reflexo disso pode ser visto claramente nos cursos teológicos e no dia-a-dia da igreja atual.
Basta você, leitor, estudar cada credo doutrinário da história cristã, exemplo: o Credo dos Apóstolos, o Credo de Cesaréia, o Credo de Nicéia, o Credo Niceno e o Credo Atanasiano, para perceber claramente a questão em pauta.
A tese defendida pelo autor é que, assim como eles foram fundamentais para assegurar a nossa profissão de fé nas demais doutrinas frente às heresias dos primeiros séculos, deveriam também ter dogmatizado a doutrina bíblica de missão e a natureza missiológica do evangelho. Se isso tivesse ocorrido, com certeza, hoje, não haveria tanta desconfiança em crermos e praticarmos missões como uma doutrina bíblica autêntica.
A motivação do Credo dos Apóstolos não foi a evangelização mundial, mas o combate ao erro do Marcionismo. É trágico que a maior formulação da teologia cristã, que é freqüentemente a mais lida e estudada nas igrejas ao redor do mundo, não tenha uma única palavra sobre a Igreja e sua responsabilidade com o mundo perdido!
Mais recentemente, por ocasião da reforma, encontramos Lutero e Calvino resgatando e desenvolvendo a verdadeira fé bíblica cristã e, embora tenham construído uma boa base para missiologia, também não foi essa a preocupação deles nem dos demais reformadores. Como é bem notado pelo autor, é impressionante que o resgate da Bíblia pela reforma não resultou num resgate imediato por missões mundiais.
Muitos dos teólogos sucessores foram ativamente hostis a qualquer pensamento de que missão era a responsabilidade da igreja. As grandes afirmações da Fé Reformada, a Confissão Belga ou o Catecismo de Heidelberg no continente europeu, a Confissão Inglesa de Westminster ou os Trinta e Nove Artigos Anglicanos omitem-se quanto ao assunto. Poucos teólogos luteranos e reformadores da Holanda, Grã-Bretanha e Alemanha procuraram investir contra a onda teológica, mas pouco resultado prático foi manifestado no envio real de missionários. O trabalho de missão foi conduzido por anabatistas, pietistas e morávios nos dois séculos seguintes, e foi ignorado pelos teólogos da época.15
É bem verdade que há razões que explicam esse comportamento. Mas em vista do prejuízo espiritual que isso trouxe para a evangelização mundial, nenhuma delas justifica tamanha negligência. Nesse contexto de inércia missionária, apenas alguns grupos de estigmatizados, como os anabatistas16, procuravam manter a chama acesa, com o riso de serem perseguidos e marginalizados. Mas a Grande Comissão tornou-se, para eles, o seu propósito de vida, e a eles devemos uma menção honrosa póstuma.
Após esse período, o problema ainda continuou com outros teólogos de grande expressão. E um exemplo citado por Patrick é a obra de Teologia Sistemática de A. H. Strong. Escrita há mais de cem anos, essa obra clássica da teologia evangélica, com mais de mil páginas, discorre brilhantemente sobre todas as doutrinas de fé. Mas missão mundial e a Grande Comissão de Mateus 28.19 são citadas apenas uma vez, e mesmo assim sem a idéia objetiva de evangelização transcultural.
Poucos grandes teólogos fizeram melhor. Seria um estudo interessante avaliar a cobertura da Grande Comissão e da missiologia em todos os trabalhos similares feito pelos principais teólogos. Acredito que os resultados revelariam exceções, mas na maioria, a ausência seria simplesmente evidente, e o meu argumento, confirmado.17
E é justamente isso que acontece com as demais obras de teologia sistemática e pastoral estudadas em nossos seminários. É obvio que esse quadro só poderia gerar pastores e líderes sem compromisso com missões. A pesquisa realizada pelo ICP, e publicada nesta edição (p. 46), demonstra bem isso. Missiologia é apenas uma matéria a mais do currículo, muito pouco enfatizada.
O missionário e teólogo luterano James Scherer percebeu isso nos seminários dos EUA, onde foi professor por muitos anos, país historicamente com grande atuação missionária:
Sempre me vinha à mente que o ensino de missões não tinha um lugar definido ou adequado no currículo teológico dos principais seminários. Essa falta de importância contrasta significativamente com a posição central de missão no Novo Testamento e nos primórdios da igreja [...] Assuntos como evangelismo, conversão, crescimento da igreja, testemunho a pessoas de outros credos e missão em unidade parecem totalmente estranhos aos alunos.
Recobrando a consciência
Este assunto exigiria muito mais espaço para um debate amplo e profundo sobre cada uma das particularidades envolvidas nesta questão. Esperamos que esta provocação, lançada por Patrick, e aqui parcialmente reproduzida, inspire grupos de discussão que levem este debate às conferências, aos congressos de missões, às salas de aula de cada seminário e aos estudos das igrejas.
Repetindo as palavras de Patrick Johnstone, que dizem: “…não quero aqui construir uma nova teologia baseada apenas nessas poucas afirmações”, entendo, porém, que alguma coisa precisa mudar! O alvo precisa ser corrigido. Sem sombra de dúvida, nossa obediência pode apressar a sua volta! Maranata!

FAZER MISSÕES

Fazer missões
É obedecer ao "ide" de Jesus; 
É levar a todas as nações
A doce mensagem da cruz. 
Fazer missões é ter amor, compaixão, 
Por tantos que estão sofrendo
Sem Cristo no coração.

Fazer missões
É levar alento a nossa gente sofrida, 
Anunciando em todas as nações, 
Que Jesus Cristo é o caminho, a verdade e a vida.

Fazer missões
E levar agasalho, remédio e alimento
Aos povos de outras terras, 
Muitos vivendo ao relento, 
Sofrendo os efeitos das guerras.

Fazer missões
É combater o egoísmo, 
O preconceito racial, 
A idolatria, o fanatismo, 
O pecado de um modo geral.

Fazer missões
É pregar o evangelho em todas as nações: 
No Japão, na Coréia, na Bielorússia, na Guiné. 
É pregar na China, na Índia, na Alemanha, 
Na África, Portugal ou na Espanha. 
Sim, no mundo inteiro, em todos os continentes, 
Para que todos fiquem cientes
De que o nosso Deus é único, 
Verdadeiro e suficiente.

Nessa campanha quero dar a minha mão
E abrir o meu coração 
Para ajudar a libertar o povo
Da maldita escravidão.

Autor: Pr. Altamiro Pereira 
Retirado do Livro "Preciosas Inspirações", UFMBF

FONTE: UFMBF

terça-feira, 17 de agosto de 2010

ENFIM TOMAMOS O MONTE HEBRON

       A maior fortificação budista, terra de gigantes, a Tibete Indiana; o milenar centro de peregrinação e treinamento budista.
       Bodhgaya e Nalanda, foram por mais de 2 milênios o centro internacional de treinamento budista. Através daqui, algumas centenas de milhares de jovens, invadiram todo continente asiático, levando as “boas novas” do “iluminado” senhor Buda. O lema para eles sempre foi: “indo onde houver alguma picada”.
       Assim, conquistaram quase todo Oriente. Não faltaram crianças consagradas por milhões de famílias para estas missões, jovens abnegados, mestres dedicados e voluntários a todo instante. Assim, esta cidade se tornou uma fortaleza e o centro do principado budista.
       Tibete conservou a doutrina e Bodhgaya a peregrinação e o treinamento. Disto tem conhecimento todos que têm nos escudado nestes quatro anos, onde nos dedicamos ao ano DAIPOS (1 ano de oração e Jejum por Bihar e Norte da Índia), o ano da proclamação e semeadura, e agora o ano da colheita.
       Foram quatro verões onde a temperatura chegou até a 51 graus, energia elétrica precária, sem moradia certa, doenças misteriosas nos afetaram, cansaço físico e mental a ponto de nos prostrarmos.
       Entretanto, ao prostramos caímos de “joelhos” e não com a cara na poeira. Na força do Senhor, atingimos umas 200 aldeias em mini e médias cruzadas, usando o filme “Jesus” na língua local. Mais de 150 mil pessoas que nada sabiam acerca das Boas Novas foram impactadas ao assistirem a historia do Ressurreto, 20 mil novos testamentos em Híndi foram distribuídos.
       Bodhgaya não tinha uma única família que adorava e servia a Jesus, agora, pela graça de Jesus, tem uma igreja com 120 irmãos a qual está aliançada com a Igreja da Promessa (Pr. Jorge Mello) do Canadá; Gaya (cidade anexa) com suas aldeias são 310 irmãos em 25 aldeias, em aliança com a Igreja que se reúne nos lares em BH (José Maria e Carlos) e SP (Hélio, William e João).
       Entretanto, em Bodhgaya, em todos os anos da Igreja, nunca houve uma propriedade que indicava a presença de seguidores de Cristo. Como Meca, não éramos autorizados a construir nada que mostrasse o símbolo Cruz. Mas, Deus nos deu espírito resoluto, testa de diamante, tomamos posse da nossa autoridade que nos foi outorgada por Jesus, e assim nenhum portal, forças ou muralha pode conter o avanço da Igreja.
       Após umas 30 idas e vindas pelos arredores da cidade identificamos o lugar que seria a nossa base de missões. Assim, compramos um terreno de 850 mt2. Apesar de grande oposição levantamos o muro.
       Foi penoso, tenso e cansativo o inicio desta construção, onde estrategicamente após a inauguração trouxemos 13 órfãos para ali morar. Por três vezes vieram os oficiais de justiça e por um pouco de tempo paramos a obra; líderes locais com suas turbas nos ameaçaram de várias maneiras.
       Houve até concentração pública na cidade, com mais de 100 pessoas gritando e fazendo ameaças caso seguíssemos avante com aquela construção; líderes budista, por algumas vezes, vieram e com ameaças nos forçou a para a obra (paramos por um período curto). Apesar de todo embaraço, nos revestimos das armas da nossa milícia e no nome de Jesus avançamos.
       Hoje, estamos festejando o término da primeira etapa do nosso centro de operação. São quase  100 mts2 de espaço construído. Aqui já é nossa Ziclaque e daqui “lamberemos” a terra em derredor. Com incursões evangelísticas, como Davi, daremos de ímpeto contra os amalequitas e filisteus.
       Até que venha Silo, alias, o tabernáculo já está erguido e em breve seremos uma Jerusalém nesta Canaã que pedimos ao Senhor. 
       “Pede-me, e eu te darei as nações por herança e as extremidades da terra por tua possessão”;  "Agora, pois, da-me este monte de que o Senhor falou..";" Josué o abençoou e deu a Calebe Hebrom em herança". Sl 2:8; Js 14:12b,13
       Muito obrigado a todos vocês que seguraram a corda, que nos enviaram “oxigênio” dentro desta “masmorra”.
       Obrigado a Igreja de Formiga-MG na pessoa da Irmã Anice Brotel; a Igreja do Amapá representado pelo irmão Antonio Medeiros, a Igreja em Belém (Pr. Celso), a Igreja em Goiânia e MCM (pr. Jose Rodrigues), a Igreja que se reúne nos lares em Jaboatão dos Guararapes-PE (pr. Saulo), a Igreja nos lares em SP. Estes, com orações e finanças, foram fundamenstais. Também aos irmãos da Igreja Batista Getsemani (Pr Jorge Linhares) a qual é aliançada ao meu ministério.
       Entretanto, entre tantas colunas invisíveis, não poderei deixar de dizer um forte muito obrigado a Igreja Conguerors For Christ (CFC) Fall River-USA, (Pr. Gabriel Cabral) pela perseverante assistência ao CFC da Índia e de Bodhgaya, onde funciona agora a casa de órfãos.
       Foram gastos perto de R$90.000,00 (noventa mil reais), para aquisição e construção de tudo que foi feito(poço semi-artesiano, casa, muro etc.) Apesar desta propriedade está em nome do CFC-Índia, junto com outras 17 crianças que queremos ainda resgatar, totalizando 30, ali também funcionará o centro de operação de missões da JOCUM.
       Ebenezer! até aqui nos tem ajudado o Senhor.
       Estamos como quem sonha, mas, dando apenas os primeiros passos nesta longa caminhada pelos interiores e sertões do Norte da Índia.

       Se candidate, entre para estas fileiras, tenha a honra e um enorme privilégio de tornar-se sócio deste empreendimento em construir “tabernáculos eternos”. Estes são as vidas resgatadas por Aquele que deu seu sangue em resgate por nós. A Ele seja a honra a gloria e o louvor.

MOTIVOS DE ORAÇÃO: Apenas ações de graças.

Robson Oliveira 

– Bradesco – Ag: 2212 / 8  -  C/C: 3404 / 5

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Notícias da Índia - 19.08.09

Que noite nostálgica! No silêncio, muitas perguntas.
Apos viajarmos 1 hora por uma boa estrada, entramos numa estrada ruim que dava acesso a algumas aldeias. Trinta minutos depois avistamos o nosso alvo. Mas, não havia como chegar com o carro e equipamentos. A solução foi entrar pelos campos e com as mãos ajudar a remover torrões, abrir caminhos improvisados, descer e subir lugares íngremes e acreditar no nosso valente “cavalo de aço”. Esta não era a nossa primeira aventura em fazer caminhos e pela graça de Deus, apesar de muitos perigos, não sofremos graves acidentes.
Chegamos. A noite estava muito quente e suávamos muito. De repente vimos tantas crianças que era difícil acreditar que pertenciam apenas aquela pequena aldeia. As pessoas pareciam ter vergonha de nós, não se aproximavam. Era 6:30 da noite e muitos estavam estirados em camas feita de cordas, esteiras, outros dormindo em chão batido. Todos estes estavam doentes; soubemos disto quando fomos orar por alguns.
Eram em extremo pobres, magérrimos, doentes, seminus, todos analfabetos, pareciam terem saído dum campo de concentração (note bem nas fotos). Ao darmos inicio ao filme ninguém sentou-se nas lonas que estiramos em frente ao telão. Apesar dos nossos apelos poucos vieram a frente, preferindo ficar assentados mais ao longe. Eram uns 300. O silêncio era total, e muito lentamente notei alguns tímidos sorrisos. Perto do final pareciam descontraídos e comentavam alguns episódios do filme.
Perguntei aos obreiros:
- Quantas oportunidades este povo teve de ouvir estas Boas Novas?
Ramesch foi enfático:
- Nunca antes ouviram falar de Jesus.
Perguntei novamente:
- Na sua avaliação, quantas vezes mais eles terão esta oportunidade de ouvir através de outros?
- Por certo irmão Robson, esta foi a primeira e será a última.
Sentei-me ao longe, tirei algumas fotos. Senti um pouco confuso, triste, frustrado por não poder dar seguimento aquele trabalho. Pois, tínhamos diante de nós outras 12 aldeias que esperavam ansiosamente pela nossa chegada.
Chamei num canto o meu amigo e disse-lhe: “Concordo com o que você disse, então temos que pregar abertamente, desafiá-los a aceitar a Cristo e crermos que o Espírito Santo cuidará deles”. Concluí repetindo o que está escrito em Rm 10:9,10,13: “Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentro os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação. Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”.
Ramesch deu um sorriso de satisfação sabendo que para serem salvos não precisavam saber ler, nem serem conhecedores da Bíblia e, se outros não fossem ali novamente a decisão deles seria selada pela fé. Aquele seria o dia de muitos, único e histórico, que ecoaria por toda eternidade.
O suor que ensopava minha camisa e os malditos mosquitos que só escolhiam a mim para picar e perturbar, não foi capaz de tirar o meu intenso gozo no Senhor. Me revesti da alegria do senhor e de um profundo privilégio de ser um canal, uma ponte da graça e da misericórdia de Deus, para novos herdeiros do reino celestial.
Nas palavras finais, Ramesch os desafiou em aceitar, ou não, a mensagem da Cruz, foi exposto diante deles e, pela graça de Deus, minha dúvida é saber de alguém não O aceitou em seus corações.
Apesar de tanta pobreza, a generosidade que algumas destas famílias nos evidenciaram, foi em extremo abundante. Nos oferecerem o que tinham de melhor para comer; muito provável, aquela era uma oferta da viúva pobre. Com isto Deus foi glorificado em louvor e ações de graças.
No domingo que se seguiu alguns desta aldeias, levaram 2 horas para o encontro de todos os domingos na Igreja de Bodtgaya.
Dali, fomos em outras 12 aldeias, num arrastão de 12 dias seguidos.
Vi brigas de três líderes que disputavam no “berro”, onde o filme “Jesus” seria passado, cada um brigando por seu povo. Vi grupo de mulheres chorando quando Jesus foi levado para Cruz; outros expressavam um largo sorrido ao vê-lo ressurreto. Pessoas caminhavam até 10 kms para conhecer a história de Jesus; muitos nos convidaram para também irem em suas aldeias, mas, continuarão lá, esperando pela revelação dos filhos de Deus. Nestes últimos 13 dias consecutivos, tivemos uma media de 600 pessoas em cada apresentação, expulsamos muitos demônios e muitos foram curados de varias enfermidades.
É tempo de chuvas, saíamos com chuva intensa, mas, onde “montávamos o nosso acampamento”, em todo derredor chuvia, mas nós conseguíamos ver as estrelas. Neste tempo as estradas são usadas apenas por trator, carros de bois ou cavalos. Para chegar a estes povoados atravessamos riachos e lagos de lama; por algumas vezes gastamos até duas horas para rodar 20 kms.
Mas, nada neste mundo e tão compensador quando em plena noite, (22.00 – 23.00 horas) famílias competiam, argumentando-se entre eles ou nos deixando livre para decidir para qual casa iríamos comer nossa última refeição. Em todas as aldeias se levantou famílias que não nos deixaram ir sem antes nos abençoar com suas apimentadas comidas.
Sempre eram muito especiais nossas últimas orações por estas famílias e por vários que se agregavam a nós na nossa despedida.
Os cento e vinte irmãos da Igreja em Bodtgaya, onde Ramesch é pastor, vêem destas e de outras aldeias, por onde também passamos.
Pela graça de Deus, na liderança do Charles Finney, estão congregados outros 130 irmãos, da região de Gaya, os quais também se reúnem nas casas, nestas aldeias. Debaixo da sua liderança tem outros 10 evangelistas, que vivem de tempo integral, os quais estão abrindo novas igrejas por onde temos ido. O alvo é que cada um destes 10 iniciem 5 novas igrejas nos lares nestes próximos 16 meses.
Pela graça de Deus, a casa Resgate de Bothgaya também é uma realidade, onde temos uma casa e um casal de indianos com 4 órfãos vindos destes contactos. Nosso alvo é cuidarmos de 30.
Na próxima carta escreverei acerca da assistência aos santos, da Igreja perseguida de Orissa, onde dezenas deles, pela graça de Deus, têm sido assistidos na área da saúde. Tenho tido o privilégio de também estar ali com eles e ser tremendamente renovado e avivado na minha fé por estes valentes guerreiros desta geração.
Ao ler esta carta, o Espírito de Jesus lhe levantará em vários e específicos pontos de intercessão por nós e por esta obra.
Juntos na extensão do Reino de Deus!!!

Robson Oliveira
Bradesco
Ag. 2212 / 8 (digito)
C/C. 3404 / 5 (digito)